quarta-feira, 31 de outubro de 2007

O Perdão: porta para a paz mental

Existem muitas maneiras de definir o perdão, porque o perdão é muitas coisas ao mesmo tempo. É uma decisão, uma atitude, um processo e uma forma de vida. Algo que oferecemos a outras pessoas e algo que aceitamos para nós mesmos.

O perdão é uma decisão, a de ver além dos limites da personalidade de outra pessoa, de seus medos, idiossincrasias, neuroses e erros. A decisão de ver uma essência pura, não condicionada por histórias pessoais, que tem uma capacidade ilimitada e sempre é digna de respeito e amor. O perdão é a opção de “ver a luz da lâmpada e não a tela” escreveu o doutor Gerald Jampolsky, autor de muitos livros sobre o perdão. Em realidade, quando perdoamos é possível que vejamos a tela (identidades baseadas ou condicionadas pelo medo), mas a vemos no contexto da luz que ilumina o núcleo interior de cada um de nós.

O perdão é uma atitude, que pressupõe estar disposto a aceitar a responsabilidade das próprias percepções, compreendendo que são opções, não fatos objetivos.

O perdão é a atitude de optar por olhar para uma pessoa que talvez alguém tenha julgado automaticamente e perceber que na realidade, é algo mais que a pessoa “terrível” ou insensível que vemos. Se alguém nos repreende ou nos falta ao respeito, a reação condicionada poderia se sentir ferido, ameaçado e furioso: “Como pode fazer isso comigo?. Ou: “Como se atreve a falar assim comigo?”. São reações naturais.

Uma conseqüência de compreender que as percepções são uma opção é que ao mudar as percepções, também mudam as reações emotivas. No lugar do homem furioso que você viu te atacar faz cinco minutos, poderá ver agora um pequeno garoto frustrado e assustado. Freqüentemente, é o garoto interior ferido ou assustado da outra pessoa o responsável pela sua falta de delicadeza ou de critério maduro. Quando somos adultos, esse garoto interior ferido vive dentro de nós, caso no decorrer de nossa infância tenha se nos negado o amor, a compreensão e o consolo de que precisávamos. O garoto ferido continua sendo uma força impulsionadora na psique do adulto, até que seja reconhecido e depois curado. O perdão nos capacita a perceber, sob esse comportamento insensível, esse garoto ferido, os condicionamentos passados e o grito pedindo ajuda, amor e respeito.

O perdão é um processo, que exige que mudemos nossas percepções uma vez ou outra. Não é algo que aconteça de uma vez por todas. Nossa visão habitual está obscurecida pelos juízos e percepções do passado projetados no presente. Nisto, as aparências nos enganam com facilidade. Quando optamos por mudar nossa perspectiva por uma visão mais profunda, mais ampla e abrangente, podemos reconhecer e afirmar a maior verdade a respeito de quem somos nós e quem são os demais. Como resultado desta mudança, surgem de um modo natural uma maior compreensão e compaixão por nós mesmos e pelos demais. Cada vez que fazemos esta mudança, debilitamos o monopólio do ego sobre nossas percepções e nos capacitamos para deixar seguir, libertar e esquecer o passado. O perdão costuma ser experimentado como um sentimento de otimismo, paz, amor e abertura do coração, alívio, expansão, confiança, liberdade, alegria e uma sensação de estar fazendo o correto.

O perdão é uma forma de vida que nos converte gradualmente de vítimas de nossas circunstâncias em poderosos e amorosos co-criadores de nossa realidade. Enquanto forma de vida, pressupõe o compromisso de experimentar cada momento livre de percepções passadas, de ver cada instante como algo novo, com clareza e sem temor. É o desaparecimento das percepções que dificultavam nossa capacidade de amar.

Existem muitas pessoas que quando pensam no perdão, acham que é algo que se faz de situação em situação, de raiva em raiva. Se bem que em última instância, seja essencial perdoar a cada situação específica se é que queremos ser livres, curar e ser capazes de avançar, em seu sentido mais amplo é uma maneira de nos relacionar que está sempre presente: clara, piedosa e compreensiva. O perdão nos ensina que podemos estar firmemente em desacordo com alguém, sem precisar por isso de esquecer o nosso carinho. Leva-nos mais além dos temores e mecanismos de sobrevivência próprios de nosso condicionamento, em direção a uma visão corajosa de verdade, oferecendo-nos um novo campo de escolha e liberdade, no qual podemos descansar de nossas batalhas. Guia-nos para onde a paz não é desconhecida. Nos dá a possibilidade de saber qual é nossa verdadeira força.

A idéia de considerar toda manifestação de raiva como um pedido de reconhecimento, respeito, ajuda e amor pode ser um desvio radical em relação à maneira como aprendemos a perceber a raiva e reagir diante dela.

O perdão não está no que “fazemos” e sim na maneira como “percebemos” as pessoas e as circunstância. É um modo diferente de olhar o que está se fazendo e o que foi feito. Independentemente do que cada um escolha fazer, o fato de considerar nossa conduta como um expressão de temor e uma petição de amor e respeito, nos permite adotar uma atitude que não contribua a aumentar o temor e, em conseqüência, que seja mais provável uma resposta verdadeiramente útil. O perdão é definitivamente uma opção sensata e conveniente.

Às vezes tomam-se decisões em nome do perdão quando não se perdoa de fato. É importante não confundir perdoar com negar os próprios sentimentos, necessidades e desejos. Perdoar não significa ser passivo e manter um trabalho ou uma relação que evidentemente não funciona ou nos faz mal. É importante ter bem claros os próprios limites. O que é aceitável para cada um?

Se estivermos dispostos a permitir repetidos comportamentos inaceitáveis em nome do “perdão”, o mais provável é que estejamos utilizando o “perdão” como pretexto para não assumir a responsabilidade de cuidar de nós mesmos ou para evitar fazer mudanças. Em uma situação de trabalho, por exemplo, o perdão não nos exime de resolver o que desejamos fazer, de enfrentar os problemas ou de procurar outro trabalho se o que temos nos faz infeliz. Freqüentemente, os limites entre perdoar e fugir são subjetivos; cada um tem que descobrir qual é qual para si mesmo, sendo totalmente honrado consigo mesmo.

Busca tua verdade em teus sentimentos mais instintivos e escuta o teu coração.

Perdoar-se a si mesmo: o desafio

Perdoar-se a si mesmo é provavelmente o maior desafio que podemos encontrar na vida. Em essência, é o processo de aprendermos a nos amar e aceitar a nós mesmos “aconteça o que acontecer”.

No entanto, existe uma enorme resistência e perdoar-se a si mesmo, já que, como qualquer outra mudança importante, é uma morte. Morre o hábito de nos considerarmos pequenos e indignos, morre a vergonha, a culpa e a autocrítica. “Estou envergonhado de ter engordado tanto”, “Sempre me sentirei culpado por não ter me despedido das pessoas”, “Deixarei de me sentir culpado se as coisas se resolverem”, “Perdoar-me-ei quando ela me perdoar”. Quantas vezes a disposição de nos amarmos e aceitarmos dependeu de que as circunstâncias fossem diferentes de como na realidade são? Que críticas de nós mesmos teremos que deixar de lado para que possamos nos perdoar?

O objetivo do perdão é lançar luz sobre os enganos, temores, julgamentos e críticas que nos vem mantendo presos, no papel de nosso próprio carcereiro. É descobrir a opção de renunciar a esse cruel trabalho, para poder assim nutrir toda a verdade a respeito de quem somos.

Perdoar-se a si mesmo é um fabuloso nascimento. É inerente aos momentos nos quais temos a experiência direta da compaixão, do amor e da glória de nosso EU superior, mais além de toda definição.

(Robin Casarjian)

Sobre o Perdão...

  • O perdão contém a promessa de liberdade, alívio e paz.
  • O perdão desperta a nossa bondade e o fato de que somos dignos de amor.
  • Permite descarregar a confusão emocional e seguir em frente, sentindo-se melhor consigo mesmo e com a vida.
  • O teólogo e filósofo Paul Tillich diz: “O perdão é uma resposta, a resposta implícita em nossa existência”. O perdão é o meio para reparar o que está quebrado. Pega nosso coração quebrado e o conserta. Pega nosso coração surpreendido e o libera. Pega nosso coração manchado pela vergonha e a culpa e o devolve a seu estado imaculado. O perdão restabelece em nosso coração a inocência que havíamos conhecido em outra época, uma inocência que é a liberdade de amar.
  • Perdoar não é justificar comportamentos negativos ou improcedentes, sejam próprios ou alheios. O perdão não quer dizer que se aprove ou se defenda a conduta que causou o sofrimento, nem tampouco exclui que se tomem medidas para mudar a situação ou proteger nossos direitos.
  • Perdoar não é adotar uma atitude superior. Caso se perdoe alguém por piedade ou por considerá-lo bobo ou estúpido, confunde-se o perdoar com a arrogância.
  • O perdão não exige comunicação verbal e direita com a pessoa à qual se perdoou. Não é preciso ir e dizer: “te perdôo”, ainda que, às vezes, isto possa ser uma parte importante do processo de perdoar. Com freqüência, a outra pessoa notará a mudança produzida em nós; o perdão é uma mudança interior que pode levar à reconciliação.

O perdão só requer uma mudança de percepção, outra maneira de considerar as pessoas e circunstância que acreditamos que nos tenham causado dor e problema.


“PERDOAR. Uma decisão valente que nos trará a paz”.

Robin Casarjian. - Ediciones Urano S.A. 1998.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Diferentes maneiras de demonstrar a raiva

Cada um tem uma forma diferente de trabalhar a raiva. Vamos falar de oito delas

1. BOMBA ATÔMICA

Estas pessoas parecem estar o tempo todo com raiva. Qualquer coisa as incomoda. Ainda que seja sem querer, se sentem insultadas e são pessoas que se mostram muito iradas.

2. ESTÁTUA

Estas pessoas negam a raiva que sentem. Não demonstram o que sentem e por isso, parecem estátuas. Preferem ir embora e deixam as coisas como estão, sem solucioná-las; normalmente não querem mais falar com as pessoas que a ofenderam.

3. PANELA DE PRESSÃO

Essas pessoas guardam a raiva por muito tempo sem demonstrá-la. De repente, por qualquer motivo, explodem sem se importar nem com as pessoas nem com o lugar onde estão. Estas pessoas podem adoecer por guardar seus sentimentos.

4. MÁRTIR

Os mártires não demonstram a raiva claramente. Queixam-se de tudo o que acontece, para que os outros tenham atenção especial com ele, para que tenham pena deles e façam tudo o que eles querem.

5. PISTOLEIRO

Os pistoleiros rapidamente mostram sua raiva e rapidamente se esquecem dela. Eles se esquecem que com esse tipo de comportamento podem ferir muitíssimo as pessoas.

6. TRAMPOLIM

Quando se fala mal dessas pessoas, escondem a dor que sentem. No entanto, por vingança, fazem o mesmo com os outros. Devolvem todo o mal que lhes fazem.

7. CAMINHÃO DE LIXO

Esses transferem a raiva que tem de pessoas poderosas (chefe, padre), para as pessoas menos poderosas (como por exemplo, seus filhos). Quando a raiva é muito grande brigam com outras pessoas que não tem nada a ver com o fato.

8. BOMBEIRO

Essas pessoas controlam a raiva que sentem assim como os bombeiros controlam o fogo. Sabem que estas situações são naturais. Têm diferentes formas de enfrentar as brigas e, também, sabem que precisam de tempo para se acalmar, perceber e entender o que está acontecendo. Dessa forma encontram facilmente a solução dos problemas e não ficam brigados com as pessoas.

sábado, 6 de outubro de 2007

O que esperar das ESPERE

Por isso, com o método das ESPERE você poderá:

  • Encontrar a confiança necessária para compartilhar aspectos íntimos de sua vida. (Permissão)
  • Perceberá que, ao compartilhar esse aspecto da sua vida íntima, se sentirá muito melhor. (Proteção)
  • Perceberá que não está sozinho. Poderá ter relações de cooperação e de apoio mútuo. (Potência)


Este método também trabalha as quatro áreas do ser humano:

  • Sentir: falar o que se sente é muito importante para não adoecer ou fazer coisas que tragam arrependimento.
  • Pensar: você poderá dizer o que pensa e terá novas idéias para refletir.
  • Fazer: aqui aprenderá novas maneiras de atuar, buscando diminuir as agressões.
  • Transcender: se refere ao desejo de ser cada vez melhor.

Os conteúdos que você vai ter contato, neste processo de Perdão e Reconciliação, estão distribuidos em 10 módulos. Serão ministrados por equipes multidisciplinares em oficinas e técnicas sobre dinâmicas de grupo, considerando essas quatro dimensões: cognitiva, comportamental, emocional e transcendente.

Esta metodologia poderá ser modificada de acordo com as características dos diversos grupos, comunidades, empresas, escolas e outros, onde se estará aplicando o método.

O 3 "S"

OS TRÊS “S”

Quando se vive por uma situação de violência, sua vida é afetada em:

  • Segurança em si mesmo: uma pessoa maltratada ou agredida sofre graves lesões no que se entende como pessoa, levando-a a ter graves problemas de segurança, nos diferentes momentos e espaços da sua vida. Por exemplo: não pedir um favor por medo de que seja agredida ou não aceitar um trabalho por medo de que algo aconteça.

  • Significado da vida: quem sofreu uma ofensa perde o sentido e o significado da vida. Não se compreende bem o fazer e o transcender. A motivação para atuar diminui sensivelmente. Por exemplo: não saber o que se quer fazer na vida ou o não saber o motivo da sua existência.

  • Na sociabilidade: quando se é maltratado, o que se ganha é a desconfiança. A interação diária com os outros fica dificultada pela suspeita. O estar com os outros e o trabalho em equipe se complica. Por exemplo: não se tem amigos por se pensar que eles vão se aproveitar ou que riam de você quando contar algo ou que contem a todos os seus segredos.

Curiosidades - Você sabia?

VOCÊ SABIA?

- No ano 2000 morreram no mundo, por causas não naturais, 1,6 milhão de pessoas. Dessas mortes, metade foram suicídios, grande parte foram homicídios e em número menor foram por conflitos armados..

- A maior taxa mundial de homicídios corresponde a homens com idades entre os 15 e 29 anos.

- O índice de mortes, por causas não naturais, entre os jovens, na Região Oceânica (Niterói - RJ) cresce assustadoramente, chegando a média de 10 mortes a cada semana, em acidentes de moto, automóveis, atropelamentos e armas de fogo.

- Os maltratos físicos, sexuais e psicológicos não nos levam diretamente a morte, porém, afetam a saúde e ao bem estar de milhões de pessoas, que passam a apresentar doenças, elevando em muito as despesas do país.

- A violência social é uma conduta adquirida inicialmente no ambiente doméstico, através das condutas agressivas dos pais, dos maltratos às crianças e, em geral, dos comportamentos violentos usados pelos membros da família.

- Muitos suicidas cultivam a raiva e o ódio pela vida. O suicídio é uma forma de vingança contra a vida, contra si mesmo e contra a sociedade.

- Já ficou provado que os meninos e as meninas que ficam expostos à violência, como vítimas ou como testemunhas, tem maior probabilidade de repetir atitudes semelhantes, quando adulto.

- Não conseguir lidar com as emoções, principalmente com a raiva, ocorre quando não conhecemos mecanismos para transformar ódios, rancores e desejos de vingança. Essas são as causas mais comuns de todo tipo de violência.